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| Ademir e Palmeiras : Pentacampeões Paulista |
Sua oportunidade no time titular foi concedida pelo técnico Geninho, em 1963, quando o Palestra já era a Academia e conquistou o título paulista. Para dar um gostinho mais doce àquela faixa, ela foi conquistada em cima do supertime santista comandado pelo Rei Pelé, impedindo o time da Vila Belmiro de se tornar tetracampeão. Depois deste ano, o Santos teve que amargar durante toda a década a rivalidade contra um time que se tornava gigante. A formação só tinha craques: Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina e Geraldo Scotto; Zequinha e Ademir da Guia; Julinho, Servílio, Tupãnzinho e Gildo. Ademir afirma que naquele Palmeiras e em todos os outros até 1977, sua função era municiar o ataque. Enquanto isso, seu companheiro inseparável, Dudu, que chegou ao palestra em 1964, bloqueava os ataques adversários no meio-campo.
Mas o entrosamento com Dudu só foi render um fruto em 1966. Depois da disputa acirrada nas primeiras fases do campeonato paulista, o time deixou para trás o Santos de Pelé e Toninho Guerreiro e o Corinthians de Flávio Minuano e deslanchou na fase final, abrindo quatro pontos de vantagem em cima do rival do Parque São Jorge. No jogo final, um massacre: 5 a 1 em cima do Comercial, com um gol de Ademir.
Para o meia-armador, a melhor fase palmeirense começou em 1972 com a volta do técnico Osvaldo Brandão. Ele reduziu o elenco para 25 jogadores e conseguiu salários melhores. Sua chegada coincide, justamente, com a formação da segunda Academia. Várias reformulações aconteceram no elenco, inclusive com a chegada do jovem goleiro Leão e dos atacantes Edu, Leivinha, César e Nei. Muitas coisas mudaram, mas tudo continuava girando em torno de Dudu e Ademir.
A chegada de Brandão aconteceu em um momento triste para os palmeirenses. O São Paulo havia sido campeão paulista em 70 e, em 71, chegava com Osvaldo Brandão em busca do bi para disputar a final contra o Palmeiras - favorito. No Morumbi lotado, o Tricolor saiu na frente, mas no segundo tempo Leivinha marca de cabeça. Para espanto geral, o árbitro Armando Marques dá toque de mão do atacante palmeirense e anula o gol. Com o resultado, o São Paulo conquistou o bi, Minelli foi demitido do Palmeiras e a Academia ganha um novo reforço: Brandão. Em 72, os dois times novamente se encontrariam na final. Desta vez, o troféu iria para o Parque Antarctica e sem nenhuma derrota. O Palmeiras conseguiria o último título regional invicto.
Mas, de todos os títulos, Ademir garante que seu preferido foi o Paulista de 74. Só por um motivo: foi em cima do arqui-rival Corinthians que estava desesperado para sair de uma fila que completava 20 anos. E tinha que ser mesmo. Para todo mundo aquele título já era alvinegro. Todos botavam fé nos pés de Rivelino. Mas assim que a bola começou a rolar ela teimava em se aninhar nos pés de Ademir da Guia. E aos poucos, os 120 mil torcedores que lotavam o Morumbi - a maioria corintiana - foi silenciando... E o grito que quebrou o silêncio não foi corintiano. Depois do chute forte do ponta alviverde Ronaldo que definiria o jogo aos 21 minutos do segundo tempo, só se ouvia o grito da galera: "Zum-zum-zum, é vinte e um..."
Ainda em 1976, com Dudu como técnico, o Palmeiras conquistaria mais um título paulista após derrotar o XV de Piracicaba na final. Depois disso começaria o desmonte da Academia.
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